Em muitos momentos da vida, o cuidado está sempre direcionado para fora: para o trabalho, para a família, para as demandas do dia a dia, para aquilo que "não pode esperar". Nesse movimento, incluir a si mesmo na lista de prioridades acaba ficando para depois - ou simplesmente não acontece.

O autocuidado, diferente do que muitas vezes é divulgado, não se resume a gestos pontuais ou estéticos. Ele começa na percepção de limites, na escuta do próprio corpo, das emoções e das necessidades que surgem no caminho. Ainda assim, para muitas pessoas, cuidar de si desperta culpa, sensação de egoísmo ou a ideia de estar falhando com o outro.

Esse padrão costuma estar ligado a histórias de vida em que o valor pessoal foi associado ao fazer, ao dar conta, ao atender expectativas externas. Quando o cuidado consigo aparece, ele entra em conflito com crenças internas já estabelecidas - e por isso é tão facilmente adiado.

Incluir-se na própria lista não significa deixar de cuidar do outro, mas reconhecer que o cuidado precisa ser sustentável. Quando você se exclui constantemente, o desgaste emocional se acumula, e o corpo encontra formas de sinalizar esse excesso: cansaço persistente, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de descanso e desconexão de si.

O autocuidado real é construído aos poucos, em escolhas cotidianas e possíveis. Ele passa por dizer "não" quando necessário, por respeitar o próprio ritmo e por compreender que você também merece o cuidado que oferece ao mundo.

Na psicoterapia, esse movimento é trabalhado com profundidade e respeito à singularidade de cada pessoa. O cuidado consigo deixa de ser uma obrigação e passa a ser uma escolha consciente, alinhada à saúde emocional e ao bem-estar.

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