Vivemos em uma rotina cada vez mais acelerada, na qual o descanso e a pausa costumam ser vistos como perda de tempo ou falta de produtividade. Muitas pessoas só desaceleram quando o corpo ou a mente já estão exaustos, ignorando sinais importantes de sobrecarga emocional.
Do ponto de vista psicológico e neurobiológico, desacelerar não é luxo - é cuidado. Quando paramos para contemplar o que estamos fazendo, o sistema nervoso tem a oportunidade de sair do estado constante de alerta e entrar em um modo mais regulado e seguro.
Atividades simples do cotidiano, como assistir a um filme ou série que traz conforto, cozinhar algo que gostamos, ler um livro ou estar em contato com um animal de estimação, não são apenas momentos de distração. Elas favorecem a liberação de neurotransmissores como dopamina, relacionada ao prazer e à motivação; serotonina, associada à sensação de bem-estar e equilíbrio emocional; e oxitocina, ligada à conexão e aos vínculos afetivos.
Quando esses momentos são vividos com presença - e não no automático - eles contribuem para a redução do estresse, para a regulação das emoções e para uma relação mais saudável com o próprio ritmo. Não se trata de "fugir da realidade", mas de criar pequenos espaços de cuidado que sustentam a vida cotidiana.
Cuidar da saúde mental também envolve compreender que o descanso, o prazer e a contemplação são necessidades humanas básicas. Desacelerar é uma forma legítima de autocuidado, fundamentada na psicologia e na ciência do funcionamento do cérebro.
Talvez o início de um cuidado mais consciente esteja justamente na permissão de parar, olhar para o que se está fazendo e reconhecer valor nos pequenos momentos.

